29 July 2008

Eu pedalo, tu pedalas*

Foi como um presente trazido por Papai Noel. Um presente daqueles que a criança não espera e quando vê grita de alegria, sobe em cima e pedala insandecida, deixando a mãe de cabelo em pé.

Só que eu tenho 29 anos, por vontade própria fui à loja comprar o 'brinquedo' e quem ficou pirado foi meu namorado:

- "Não pode andar na calçada. Pedala só do lado esquerdo da rua. Vou te comprar um capacete, sua doida!"

Ha!

Bem… está certo que talvez eu tenha demonstrado uma euforiazinha em excesso. Mas eu tenho motivos. E eles são bons!

Primeiro porque em Londres, os motoristas respeitam e muito os ciclistas (pedrestes também, é claro) e segundo, porque uma bicicleta em pleno verão londrino, é tudo o que qualquer pessoa precisa. Você faz exercício; chega mais rápido ao seu destino em horário de rush; conhece melhor a cidade e seus belos e enormes parques, economiza com transporte e - o mais legal - você não mais derrrrrrete dentro de ônibus e vagões.

Precisa de mais? Eu não.

Mas atenção! Como acidentes podem acontecer a qualquer momento, é bom pedalar prevenido. Principalmente se você não está acostumado com o trânsito invertido. Coloque lanternas na frente e atrás da sua bike; use capacete e um daqueles coletes horrorosos do tipo mamãe-não-me-perca-no-escuro. Ah, sim… lembre-se que cabs são mais seguros após algumas pints. Isso tudo também pode servir na hora de pedir uma indenizaçãozinha que paga uma eventual conta de hospital (que estejamos todos livres desse mal… Amém!)

Ai… Esse laptop está muito quente no meu colo! Me dá uma licencinha que vou pegar minha bicicleta nova - na verdade, usada, que é mais em conta - e vou conversar com os ventos pros lados de Victoria Park.

* Texto produzido para www.jungledrumsonline.com

14 July 2008

TV license*

Estou cá pensando com meus botões se há coisa mais absurda do que a TV license. Faz alguns meses que descobri a existência da tal taxa sobre os moradores do Reino Unido e até agora não consegui compreender o sentido de sua aplicação. Como assim pagar para ver propaganda? Tudo bem que a BBC não apresenta reclames, mas todos os outros canais abertos sim. Todos os outros recebem dinheiro através do conhecido e já tão natural mecanismo de lavagem cerebral chamado publicidade. Por que é que eu, espectadora, também tenho que dar dinheiro a eles?

E a coisa é tão séria que as multas sobre os que burlam a anuidade de £139,50 chega a custar mais de £1000. Isso acontece mesmo se o aparelho ao qual você estiver assistindo não seja seu. Parece brincadeira, mas não é!

Imagine a situação: certo dia você está no sofá de casa, assistindo televisão, bem tranquilinho, quando um oficial bate a sua porta. Inocentemente, você o recebe e o trata bem até descobrir que seus flatmates não pagaram a TV license. Não adianta espernear, sapatear, nem explicar que você se mudou há uma semana. A multa é sua.

Os detalhes sórdidos dessa lei não param por aí. Se o seu aparelho for preto e branco, a sua licença sai pela bagatela de £47. Cidadãos cegos ou portadores de severas disfunções visuais recebem desconto de 50% ao comprovar suas condições. Hotéis? Sim, precisam licenciar cada aparelho, de cada quarto – apesar de receberem um descontinho. Para assistir TV através de laptops ou aparelhos de celular? Taxa. Casa de praia ou de campo? Mas é claro que sim.

No entanto, há uma concessão que até que soa bacana. Idosos com 75 anos ou mais são isentos de licenciamento, mesmo que haja demais integrantes da família, cujas características não se encaixam a nenhuma das citadas acima, habitando sob o mesmo teto.

Agora, se você não encontrar nenhum velhinho para dividir o flat e ainda acredita que possa receber algum tipo de concessão, consulte o site: http://www.tvlicensing.co.uk/

Enfim, não esqueça de pagar a sua licença e mantenha um bom relacionamento com a telinha e também com a rainha!

* Texto produzido para http://www.jungledrumsonline.com/

9 June 2008

escrever ou to write?

Acabei de acabar de escrever minha application pro curso que me trouxe a Londres. E agora, mais do que nunca, sinto a área do meu cérebro relacionada à linguagem um tanto quanto embaralhada!

Em busca de palavras em inglês, tento lembrar das palavras em português. E tem sido cada vem mais difícil. Acredite. Até mesmo para escrever esse post sinto que as palavras brincam de 'esconde-esconde' comigo.

Talvez seja uma espécie de vingança, pois acho que as palavras não gostam muito quando eu brinco de criar meilogismos com elas. Ou talvez sejam as pessoas que não gostam...

Certa vez, um amigo veio me corrigir no messenger. Meu nick estava como 'Ameizing' e ele, com toda sua pompa pseudoliterata, me disse que eu estava errada. Que, por engano, havia trocado o A pelo E.

Tsc tsc tsc...

É... pensando bem, as palavras são passivas e inofensivas. Estão sempre abertas para nosso uso, abuso e bel-prazer. Nos basta apenas aplicá-las de maneira digna, coerente, respeitosa e, no meu caso, freqüente.

Até a próxima manifestação escribomeiníaca!


2 June 2008

no escurinho daquele bar da esquina

Não, não vou falar de mais um dark room que encontramos em baladas intensas e/ou baladas gays. Foundry, é mais um bar numa esquina da agitada Old Street. Confesso que sua apresentação não é das melhores. Paredes pichadas. Sofás, poltronas e cadeiras que um dia, há muito tempo atrás, já foram bonitos. Um amontoado de aparelhos de TV, alguns em funcionamento, outros só em carcaça. Eu diria que o lugar é bem trash!

Em busca do banheiro desci as escadas que levavam ao toilet e a um outro lance de escadas, de onde vinham uma música interessante e a escuridão. Claro que fui ao banheiro primeiro, pois após algumas pints, susto e esfíncteres na completa ausência de luz, não parecem combinar!

Aliviada, respirei fundo e desci àquela espécie de calabouço. Percebi alguns vultos e uma grade que nos separava de um quarteto instrumental: os Dead Singer! Baixo, guitarra, bateria e trombone.

Parece uma formação descombinada. No entanto, o trombone representa o inexistente - ou falecido - vocalista de forma brilhante.
Em uma mistura de hardcore com rock progressivo (que não são meus estilos de música preferidos), a apresentação no escuro foi profundamente envolvente.

Tenho a impressão que a onda dos caras é realmente não aparecer. Nem no MySpace deles há grandes informações. Há apenas um depoimento, que no final diz: "...se você quer ouvir a música, você terá que ver ao vivo".

Mas ver o quê quando a gig é no Foundry?

Curioso? Visite os endereços:

http://www.myspace.com/deadsingerofficial


http://deadsinger.info/


28 May 2008

do convite ao primeiro texto

Após seis meses em Londres, recebi um e-mail que me fez sorrir. Quando se está longe, ler na sua caixa de entrada o nome de uma pessoa que lhe é especial faz dessas coisas. Sorrisos e lembranças nostálgicas. Rapidamente abri o e-mail e li com vontade! E, para minha surpresa, entre as perguntas básicas sobre como está a minha vida e se tenho planos de retorno, estava um e-convite: que tal escrever sobre sua vida na terra da rainha?

Com um misto de ansiedade e desejo de começar a digitar tudo o que aconteceu até então, olhei pela janela e no mesmo instante pensei: escrever sobre o clima é que não vai dar!

Fiquei, portanto, matutando até lembrar minhas primeiras fortes impressões de quando cheguei. E uma das coisas que mais me impressionou, foi o fato de que é impossível sair de casa sem ouvir, pelo menos, umas 3, 4 ou 5 línguas diferentes saindo das mais diversas bocas imigrantes que Londres comporta.

Dias atrás, eu estava num ônibus, falando um monte de besteiras com uma amiga brasileira pelo celular. Ao mesmo tempo olhava ao redor e pensava que as pessoas que ali estavam não me pareciam brasileiras, nem portuguesas. E mais bobagens e risadas... Quando desliguei, o celular de uma garota sentada exatamente atrás de mim tocou e o que eu ouvi? Um belo dum "alô! siiiim... me espera na frente da estação de Liverpool".

Ai...

Essa misturança e espalhamento apenas me fazia ver Londres como uma Babel abarrotada até o jantar da noite passada:

Chef: namorado suiço-brasileiro chamado Steve
Prato italiano: risoto de rúcula com tomate seco (o melhor que já comi!)
Vinho: Casillero del Diablo - belo vinho chileno, cuja relação custo-benefício aqui é melhor do que aí
Som: Astor Piazzolla, o argentino que revolucionou o tango
Sensação parisiense: jantar a beira do rio Senna!!

E tudo isso sem sair de Londres! Está certo que a criatividade ajuda um pouco nessa atmosfera. Mas é assim que a Babel deixa de assustar.

Portanto que venham a misturança e as culinárias indiana e tailandesa por preços honestos!