11 March 2009

O Fabuloso Som do Tintilar das Chaves

Com um baita sorriso no rosto estou sentada na minha nova king size, adorando os espaços do meu novo quarto, da minha nova sala de estar e da minha nova cozinha, que até mesa de jantar tem!

O sorriso aumenta quando penso na proximidade da Liverpool Street, do Spitafileds Market, de Shoreditch e da Brick Lane.

Mostro ainda mais dentes quando penso nas minhas queridas flatmates organizadas, que apreciam uma boa gastronomia dentro de casa.

Sem falar no cheirinho da limpeza da santa Margarida…

Ai, ai… Que alívio!

Tudo bem que ainda faltam ser trazidas as 7 malas que estão espalhadas mais pro sul. Mas meu edredon e travesseiros já compartilham minha alegria.

Depois de muita procura e de resolver uma infinidade de chatos pequenos importantes detalhes, eu finalmente suspiro e digo: HOME, SWEET HOME!

23 February 2009

valises e malas, oinc oinc?!

Morar em Londres requer muita paciência! Encontrar um bom flatmate e um bom flat definitivamente não é uma tarefa simples. As relações custo-benefício e de convivência custam a atingir um nível básico de satisfação. A alta rotatividade de inquilinos judia das propriedades e, em inúmeros casos, de sua sanidade mental. A vida corrida faz com que o pessoal não se preocupe tanto com a qualidade da moradia e você acaba tendo de conviver com porquinhos em chiqueirinhos com 1cm de pó sobre a TV. Repetir a explicação sobre a reciclagem, miojo na pia, papéis de chocolates e cheias xícaras de café por todos os cantos são alguns dos fatos que me atormentam nesse momento. No entanto, estar com to-dos os meus pertences em malas e grandes sacolas de £1 tem sido a pior das experiências.

A sensação é tão desconcertante que, com pouco mais de um ano na terra da rainha, sinto que não tenho um lar há muito mais tempo do que isso. Durante tal período cobri uma amiga que estava de férias no Brasil, morei com um landlord turco, com uma landlady francesa e praticamente vivi com um ex-namorado, onde sequer minhas roupas cabiam. Agora, por conta do final do relacionamento, estou de volta ao primeiro teto, onde também não tenho armários nem quarto nem cama. Será que posso dizer que aqui já tive um espaço que pude chamar de meu? Que já tive um lar em Londres? Não acredito que possa.

Tudo bem… Afinal, mudar-se para Londres e não passar por essas coisas é, mais ou menos, como vir pra cá e não sentir frio. Só que existe um momento em que um grito de exaustão e independência escapa pela goela e você se vê obrigado a abrir mão de pagar barato para ter sua paz restaurada. Nesse momento aguardo, ansiosamente, que até o final da semana tudo esteja resolvido.